TIGR® Matrix, ADM e Telas Permanentes: qual é a melhor para sustentar a mama operada?

Quando a qualidade do resultado mamário depende de uma camada que o olho não vê, a escolha do material de sustentação torna-se tão decisiva quanto a técnica cirúrgica em si. Entenda as diferenças reais entre as três principais opções disponíveis hoje.

Dr. Alexandre Peruzzo · · 9 min de leitura · Cirurgia de mama
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Em resumo


Por que a sustentação interna importa tanto quanto a prótese em si

Na cirurgia de mama contemporânea, grande parte da discussão pública gira em torno dos implantes: perfil, projeção, coesividade do gel, superfície. Pouquíssimas pacientes chegam à consulta perguntando sobre o que sustentará esse implante ao longo dos anos. Esse silêncio é compreensível — os materiais de suporte interno são invisíveis, seu nome é técnico e sua função parece secundária. Na prática, porém, é precisamente essa estrutura que determina se o resultado se manterá harmonioso após cinco, dez ou quinze anos.

A cápsula que o próprio organismo forma ao redor do implante oferece alguma contenção, mas é biologicamente imprevisível: pode ser delgada e insuficiente em tecidos de baixa elasticidade, ou excessivamente espessa e contraturante em outras circunstâncias. Para preencher essa lacuna, a cirurgia plástica desenvolveu, nas últimas duas décadas, uma família de dispositivos de suporte interno — as chamadas telas ou matrizes — que funcionam como um “andaime” adicional entre o implante e os tecidos da paciente.

Três categorias dominam a prática atual: a TIGR® Matrix (tela sintética totalmente reabsorvível), as matrizes dérmicas acelulares (ADM, de origem biológica) e as telas sintéticas permanentes (não reabsorvíveis). Cada uma representa uma filosofia diferente sobre como o corpo deve interagir com o material implantado. Conhecer essas diferenças é o primeiro passo para uma tomada de decisão informada.

Para uma visão ampliada sobre como a tela de sustentação se integra ao planejamento cirúrgico da mama, consulte a página dedicada à tela de sustentação interna TIGR® Matrix e também ao procedimento de mastopexia interna sem cortes externos.


TIGR® Matrix: o andaime que desaparece ao transferir função

Composição e comportamento biológico

A TIGR® Matrix (Novus Scientific) é uma tela sintética tridimensional fabricada com dois polímeros bioabsorvíveis: poliglactina 910 (reabsorvida em cerca de quatro meses) e poli-L-lactídeo-co-trimetileno-carbonato (reabsorvido ao longo de dois a três anos). Essa combinação bifásica é deliberada: a degradação rápida da primeira fibra cria espaço para que células do tecido conjuntivo colonizem a matriz, enquanto a fibra de longa duração mantém suporte mecânico enquanto esse novo tecido ainda está se organizando.

O resultado, ao final do processo de reabsorção, não é um vazio — é um neotecido fibroso vascularizado, biologicamente integrado, que substitui funcionalmente a tela original. Em termos práticos, isso significa que o organismo da paciente “aprende” a sustentar a mama com tecido próprio, guiado pela arquitetura da TIGR® durante os primeiros anos de maior vulnerabilidade.

Vantagens clínicas e limitações

Entre os materiais disponíveis, a TIGR® Matrix apresenta o perfil mais favorável em termos de ausência de corpo estranho permanente, menor risco de reação de rejeição tardia e compatibilidade com exames de imagem subsequentes (ressonância magnética e mamografia não são perturbadas após a reabsorção completa). Há evidências publicadas demonstrando taxas de complicação comparáveis às de ADM com resultado estético sustentado em seguimento de médio prazo.

Suas limitações são igualmente reais: exige tecidos da paciente com razoável qualidade intrínseca para que a colonização celular ocorra de forma eficiente; em ptoses muito avançadas com dermite extremamente delgada, a capacidade de neotecidogênese pode ser insuficiente. O custo do material, embora justificado pela tecnologia envolvida, integra o orçamento cirúrgico e deve ser considerado no planejamento.

Na prática do Dr. Alexandre Peruzzo (CRM-RS 26736), a TIGR® Matrix é empregada com frequência em procedimentos de mastopexia com prótese e na mastopexia interna — técnica que dispensa cicatrizes externas em casos selecionados — precisamente pela combinação entre suporte mecânico imediato e resolução biológica a longo prazo.


Matrizes Dérmicas Acelulares (ADM): a tradição biológica com nuances importantes

O que é e de onde vem

As ADMs são derivadas de pele humana (como AlloDerm®) ou de origem animal — bovina (SurgiMend®, Tutomesh®) ou suína (Strattice®, Permacol®) — submetidas a processos de descelularização que removem todos os componentes antigênicos, preservando o colágeno e a arquitetura extracelular nativa. Esse “arcabouço” biológico também é colonizado pelo organismo receptor, mas a partir de uma estrutura que já replica com fidelidade o tecido conjuntivo humano.

As ADMs têm história mais longa na cirurgia reconstrutiva mamária — especialmente na reconstrução pós-mastectomia —, o que confere ao grupo uma base de literatura mais volumosa. Revisões sistemáticas publicadas em Plastic and Reconstructive Surgery documentaram sua utilidade no controle do polo inferior do implante e na redução de contraturas capsulares em planos específicos.

Vantagens e limitações

A integração biológica de boa qualidade é a principal virtude das ADMs, sobretudo das de origem humana, que tendem a menor reação inflamatória do que as sintéticas tradicionais. Também oferecem certa versatilidade de recorte intraoperatório, adaptando-se com facilidade à anatomia individual.

Em contrapartida, as limitações são relevantes. A origem biológica implica cadeia de rastreabilidade que, dependendo do produto e do país de origem, pode ser menos transparente. O risco de seromax (acúmulo de soro) é consistentemente maior em comparação com telas sintéticas, demandando drenagem mais prolongada. O custo é em geral elevado, especialmente para ADMs de origem humana. E há variabilidade inerente de lote a lote — algo que não ocorre com materiais sintéticos produzidos sob controle industrial rigoroso.

Em ptoses leves a moderadas com pele de boa qualidade, a ADM pode ser excelente. Em pacientes com histórico de irradiação, tabagismo ou imunossupressão, os riscos de falha de integração são maiores e devem ser ponderados criteriosamente.


Telas Permanentes: eficácia imediata, compromisso de longo prazo

Mecanismo de ação e principais representantes

As telas sintéticas permanentes — entre as quais se destacam materiais como polipropileno (Prolene®, Marlex®) e poliéster (Parietex®) em suas formulações para uso mamário, além de compósitos como o TiLoop® Bra, com revestimento de titânio — atuam como suporte mecânico que permanece indefinidamente no organismo. Não são reabsorvidas nem substituídas por tecido nativo: encapsulam-se progressivamente no tecido da paciente, funcionando como uma estrutura de apoio contínua.

Sua eficiência mecânica imediata é inegável. Em casos de ptose severa com tecido muito lasso, oferecem contenção que materiais reabsorvíveis nem sempre conseguem garantir com a mesma previsibilidade.

O peso das implicações de longo prazo

A permanência, contudo, é uma faca de dois gumes. Qualquer complicação futura — infecção, extrusão, reação de corpo estranho crônica — terá o material como fator complicador permanente. Revisões cirúrgicas posteriores tornam-se tecnicamente mais complexas, pois a tela integrada ao tecido dificulta dissecções. Em casos de contratura capsular que exijam capsulectomia, a presença de tela permanente pode limitar as opções do cirurgião.

Há também evidências de que materiais de polipropileno, amplamente utilizados em hernioplastias, apresentam comportamento diferente no ambiente mamário — com maior taxa de ondulação visível e palpável ao longo do tempo quando utilizados em mamas de cobertura delgada. As telas com revestimento de titânio (TiLoop® Bra) representam uma evolução nesse sentido, com perfil de integração mais favorável, mas o caráter permanente ainda impõe o ônus do compromisso indefinido.

Para pacientes que podem ser candidatas a procedimentos futuros — sejam revisões mamárias, mastectomia profilática ou qualquer cirurgia que envolva a região — a presença de material permanente é um fator que deve entrar explicitamente no planejamento de longo prazo discutido em consulta.


Comparativo direto: o que realmente diferencia cada material

Dimensão TIGR® Matrix ADM Tela Permanente
Origem Sintética reabsorvível Biológica (humana ou animal) Sintética não reabsorvível
Duração no organismo 2–3 anos (reabsorção completa) Integração progressiva (parcialmente permanente) Indefinida
Suporte mecânico imediato Bom Bom a muito bom Muito bom
Risco de seroma Moderado Moderado a alto Baixo a moderado
Compatibilidade com imagem Excelente (pós-reabsorção) Boa Variável (artefatos em RM)
Revisabilidade futura Alta (sem material residual) Moderada Baixa (tecido aderido)
Custo médio Elevado Elevado a muito elevado Moderado a elevado
Base de evidência em mama estética Crescente Sólida (predominantemente reconstrutiva) Moderada

A tabela acima resume dimensões objetivas, mas não deve ser lida como um ranking. A paciente com tecido de excelente qualidade e ptose moderada tem um cenário completamente diferente da paciente com pele muito fina, ptose avançada e histórico de cirurgias anteriores. A individualização é a única abordagem eticamente defensável.


Como a decisão é tomada na prática cirúrgica em Porto Alegre

No consultório do Dr. Peruzzo, localizado na Av. Padre Cacique, 2893 — Shopping Pontal, Cristal, Porto Alegre, a escolha do material de suporte interno integra um protocolo de avaliação que considera múltiplas variáveis simultaneamente: grau de ptose pela classificação de Regnault, espessura e elasticidade cutânea aferidas clinicamente, índice de massa corporal, histórico de variações de peso, tabagismo, condições sistêmicas e, não menos importante, a expectativa realista da paciente quanto ao resultado e sua disposição em relação a eventuais revisões futuras.

Os procedimentos são realizados no Hospital Moinhos de Vento — Unidade Pontal, em Porto Alegre, referência em segurança cirúrgica e estrutura de suporte para cirurgias eletivas de alta complexidade técnica. Esse ambiente é parte integral da equação de segurança, especialmente em procedimentos que combinam mastopexia, troca de implantes e uso de dispositivos de suporte interno simultaneamente.

Para quem deseja compreender o espectro completo das técnicas disponíveis — do aumento mamário simples com implantes Motiva à mastopexia com prótese e à retração de pele a laser como recurso adjuvante — a consulta presencial permanece o único caminho para uma recomendação tecnicamente fundamentada. O programa de longevidade também pode ser relevante para pacientes que desejam otimizar o contexto hormonal e metabólico antes de um procedimento cirúrgico.


FAQ

A TIGR® Matrix é aprovada pela Anvisa para uso em mama? Sim. A TIGR® Matrix possui registro e aprovação para comercialização e uso no Brasil, estando disponível para procedimentos realizados em centros cirúrgicos credenciados. Sua utilização em cirurgia mamária estética e reconstrutiva tem respaldo regulatório nacional, além de estudos clínicos publicados em periódicos internacionais revisados por pares.

Qual tela tem menor risco de causar infecção? Não há um material universalmente mais seguro quanto à infecção. O risco depende de fatores combinados: técnica cirúrgica, tempo operatório, controle glicêmico da paciente, tabagismo, e adequação do ambiente cirúrgico. As ADMs de origem biológica foram historicamente associadas a taxas ligeiramente maiores de complicações infecciosas em alguns estudos de reconstrução mamária, mas os dados em cirurgia estética são menos robustos. A escolha do ambiente cirúrgico e do cirurgião experiente com o material selecionado pesa tanto quanto a natureza do dispositivo.

Após a reabsorção da TIGR® Matrix, o resultado se mantém? A sustentação proporcionada pela TIGR® é transferida progressivamente para o neotecido fibroso formado durante o processo de reabsorção. Quando o processo ocorre de forma adequada — o que depende da qualidade tecidual da paciente e da técnica cirúrgica —, o resultado tende a se manter de forma satisfatória. A literatura disponível, embora ainda em expansão para seguimentos superiores a cinco anos, aponta para estabilidade do resultado em casos bem selecionados.

É possível fazer ressonância magnética da mama tendo uma tela permanente? Depende do material. Telas de polipropileno puro são em geral compatíveis com RM, mas podem gerar artefatos que dificultam a avaliação do implante e do parênquima mamário adjacente. Telas com componentes metálicos (como revestimento de titânio) podem ter restrições específicas. Antes de qualquer exame de imagem, é imprescindível informar ao radiologista o tipo de material implantado, fornecendo documentação do fabricante.

ADM e TIGR® podem ser usadas juntas ou são alternativas excludentes? Em geral são alternativas para o mesmo objetivo — suporte do polo inferior e contenção do implante. O uso combinado não é descrito como prática padrão e adicionaria complexidade cirúrgica e custo sem vantagem clínica documentada na literatura atual. A exceção seria cenários reconstrutivos muito complexos, nos quais a combinação de recursos pode ser considerada caso a caso.

Vale a pena trocar uma tela permanente antiga por TIGR® Matrix em uma cirurgia de revisão? Essa é uma decisão que exige avaliação cuidadosa do estado da tela atual, da presença de intercorrências (ondulação, palpabilidade, reação inflamatória), da qualidade dos tecidos e do objetivo da revisão. Em princípio, a substituição é tecnicamente possível, mas a aderência da tela permanente ao tecido pode tornar a dissecção trabalhosa. Cada caso deve ser analisado individualmente, idealmente com exame de imagem atualizado antes do planejamento cirúrgico.

Referências
  1. Macadam SA, et al. "Human acellular dermal matrix: a review of clinical applications and outcomes in breast reconstruction." Ann Plast Surg. 2013;70(4):460-465.
  2. Gschwantler-Kaulich D, et al. "Mesh versus acellular dermal matrices in immediate implant-based breast reconstruction — a prospective randomized trial." Eur J Surg Oncol. 2016;42(5):665-671.
  3. Dieterich M, et al. "The use of a titanium-coated polypropylene mesh (TiLoop® Bra) in nipple-sparing mastectomy with direct implant reconstruction." Arch Gynecol Obstet. 2012;286(5):1261-1267.
  4. Benediktsson K, Perbeck L. "Capsule contracture around saline-filled and textured subcutaneously-placed implants in irradiated and non-irradiated breast cancer patients." Scand J Plast Reconstr Surg Hand Surg. 2006;40(1):25-30.
  5. Ribeiro Filho JA, et al. "Use of TIGR® Matrix surgical mesh in aesthetic and reconstructive breast surgery: outcomes and complications." Aesthetic Plast Surg. 2021;45(2):499-508.
  6. Spear SL, et al. "Acellular dermis-assisted breast reconstruction." Aesthetic Plast Surg. 2008;32(3):418-425.
  7. Novus Scientific. TIGR® Matrix Surgical Mesh — Instructions for Use and Clinical Summary. Uppsala, Sweden: Novus Scientific; 2022.

Cirurgia de mama com precisão e cuidado.

Mastopexia com prótese, mastopexia interna, prótese de mamas e tela de sustentação interna (TIGR® Matrix).

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Dr. Alexandre Peruzzo

Cirurgião Plástico · Porto Alegre / RS · +25 anos · +7.000 cirurgias

CRM-RS 26736 · RQE 34441 · Membro SBCP

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