Em resumo
- O CRM comprova que o profissional é médico; o RQE é o número que comprova, junto ao CFM, que ele possui especialidade reconhecida — no caso da cirurgia plástica, exige residência médica e aprovação em prova da SBCP.
- A verificação é pública, gratuita e leva menos de dois minutos nos portais do CFM e do Conselho Regional de Medicina do seu estado — e qualquer paciente pode — e deve — fazê-la antes de uma consulta.
- Um cirurgião sem RQE em Cirurgia Plástica pode ser médico habilitado em outra especialidade ou sem especialidade reconhecida, o que representa risco clínico e legal documentado para a paciente.
O que é o CRM — e por que ele não é suficiente
O Conselho Regional de Medicina (CRM) é o registro obrigatório para o exercício da medicina no Brasil. Todo médico formado em uma faculdidade reconhecida pelo MEC, aprovado no REVALIDA (quando formado no exterior) e em dia com suas obrigações legais possui um número de CRM ativo no estado em que atua.
O CRM-RS, por exemplo, é o registro que autoriza um médico a exercer a profissão no Rio Grande do Sul. Ele é condição necessária — mas não suficiente — para que alguém opere você em uma clínica ou hospital de Porto Alegre.
O problema está exatamente aí: o CRM diz que a pessoa é médica. Não diz em qual área ela foi treinada, por quanto tempo, nem se passou por qualquer processo de avaliação de competência específica. Um clínico geral, um pediatra e um cirurgião plástico certificado compartilham o mesmo tipo de documento. A diferença entre eles — do ponto de vista do título e da formação — está em outro número.
O que é o RQE — e por que ele muda tudo
O Registro de Qualificação de Especialidade (RQE) é emitido pelo próprio CFM e vinculado ao CRM do médico. Ele só existe quando o profissional comprova formalmente ter concluído uma residência médica reconhecida ou obtido o título de especialista por meio de sociedade médica credenciada pelo CFM e pela AMB (Associação Médica Brasileira).
No caso da Cirurgia Plástica, a sociedade responsável pela certificação é a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Para obter o título de Membro Titular da SBCP — e, consequentemente, o RQE em Cirurgia Plástica — o médico precisa:
- Concluir a graduação em medicina (seis anos);
- Realizar residência médica em Cirurgia Geral (dois anos);
- Realizar residência médica em Cirurgia Plástica em programa reconhecido pelo MEC (três anos adicionais);
- Ser aprovado na prova teórica e prático-cirúrgica da SBCP;
- Manter atividade comprovada na especialidade para renovação periódica do título.
Esse percurso totaliza, no mínimo, onze anos de formação após o ensino médio. Um médico que realize procedimentos estéticos sem esse itinerário — por mais habilidoso que possa ser em outras áreas — não é um cirurgião plástico no sentido técnico e legal do termo.
O que diz a Resolução CFM 2.336/2023
A Resolução CFM 2.336/2023, que regula a publicidade médica no Brasil, é explícita: profissionais sem especialidade reconhecida não podem anunciar procedimentos como se fossem especialistas na área correspondente. Isso significa que divulgar “rinoplastia”, “lipoaspiração” ou “mamoplastia” como serviços oferecidos, sem o RQE em Cirurgia Plástica, configura irregularidade passível de processo ético. Conhecer essa resolução protege a paciente: se um profissional anuncia abertamente procedimentos plásticos e não possui RQE verificável, já há um sinal de alerta concreto.
Como verificar em menos de dois minutos
A verificação é pública, gratuita e não exige cadastro em nenhuma plataforma. Siga o passo a passo:
Pelo portal do CFM
- Acesse cfm.org.br e clique em “Consulta médico”;
- Digite o nome do profissional ou o número do CRM com o estado (exemplo: CRM-RS 26736);
- Na ficha do médico, localize o campo “RQE” — ele aparecerá listado abaixo do CRM com a especialidade correspondente;
- Confirme que a especialidade listada é “Cirurgia Plástica” (e não Dermatologia, Cirurgia Geral, Medicina Estética ou qualquer outra).
Pelo portal do CRM-RS (para Porto Alegre e Rio Grande do Sul)
- Acesse cremers.org.br e use a ferramenta de busca de médicos;
- A ficha exibirá situação do registro (ativo, suspenso, cancelado), especialidades e eventuais restrições éticas;
- Um registro “ativo” com RQE em Cirurgia Plástica é o mínimo esperado antes de qualquer consulta.
Pelo portal da SBCP
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica disponibiliza em seu site a consulta de membros titulares por nome, cidade e estado. Essa verificação é complementar: confirma que o profissional não apenas possui o RQE, mas mantém vínculo ativo com a sociedade científica responsável pela especialidade.
Por que isso importa ainda mais em Porto Alegre
Porto Alegre concentra um dos maiores mercados de cirurgia plástica do Sul do Brasil — e, por consequência, também uma oferta crescente de profissionais de diferentes formações que oferecem procedimentos estéticos. Clínicas de medicina estética, dermatologistas e profissionais de outras especialidades atuam em um espectro legal próprio, com procedimentos e limites bem definidos. O problema surge quando essa fronteira é ultrapassada sem transparência para a paciente.
Ao operar no Hospital Moinhos de Vento — Unidade Pontal, em Porto Alegre, o Dr. Alexandre Peruzzo (CRM-RS 26736 / RQE 34441) submete cada procedimento aos protocolos rigorosos de credenciamento hospitalar — o que significa que o hospital também verifica e valida a titulação do cirurgião antes de conceder privilégios cirúrgicos. Esse é um critério adicional de segurança que ambientes de clínica isolada frequentemente não oferecem.
O credenciamento hospitalar como camada extra de segurança
Hospitais de referência como o Moinhos de Vento exigem que o médico apresente, periodicamente, documentação completa de sua formação, especialidade e histórico clínico para manter seus privilégios de sala cirúrgica. Esse processo — chamado de credenciamento médico — funciona como uma auditoria independente da habilitação do profissional. Para a paciente, optar por um procedimento realizado dentro de um hospital acreditado representa uma camada adicional de proteção que vai além da verificação individual do CRM e do RQE.
Outras perguntas que valem ser feitas na consulta
Verificar o CRM e o RQE é o ponto de partida — não o único critério de escolha. Uma avaliação completa de segurança inclui perguntas diretas que qualquer cirurgião qualificado responderá sem hesitação:
Onde a cirurgia será realizada? A resposta ideal envolve um hospital com estrutura de suporte intensivo, UTI disponível e equipe de anestesiologia independente — não uma clínica sem retaguarda hospitalar.
Quem fará a anestesia? Em cirurgias plásticas de porte, a anestesia deve ser conduzida por médico anestesiologista com RQE em Anestesiologia, integrante de equipe independente do cirurgião.
Qual é o protocolo de recuperação? Cirurgiões com formação sólida seguem protocolos baseados em evidências — como os princípios do ERAS (Enhanced Recovery After Surgery) — e conseguem descrevê-los com clareza e sem vagueza.
O profissional é membro titular da SBCP? A filiação à sociedade científica indica atualização contínua, participação em congressos e submissão às diretrizes éticas da especialidade.
Para aprofundar a leitura sobre como avaliar um cirurgião plástico além das credenciais formais, o post sobre mastopexia com prótese e o post sobre prótese de mamas discutem, em seus respectivos contextos, os critérios técnicos que diferenciam abordagens conservadoras de abordagens agressivas — e como identificar qual lógica o seu cirurgião segue.
Sinais de alerta que merecem atenção
Algumas situações recorrentes indicam que vale redobrar a atenção antes de prosseguir com qualquer procedimento:
- Ausência de RQE em Cirurgia Plástica na ficha do CFM, combinada com oferta de procedimentos como lipoaspiração, rinoplastia ou mamoplastia;
- Orçamentos enviados antes da consulta, sem exame clínico ou solicitação de exames pré-operatórios;
- Promessas de resultado específico — qualquer cirurgião que garanta um resultado determinado está, além de agindo de forma antiética, desconsiderando a biologia individual de cada paciente;
- Recusa em informar onde a cirurgia será realizada ou resistência em especificar o nome do hospital;
- Fotos de antes e depois usadas como garantia implícita — a Resolução CFM 2.336/2023 restringe severamente o uso dessas imagens em publicidade médica, e seu uso abusivo é sinal de postura pouco comprometida com a ética;
- Pacotes com desconto por prazo limitado — a decisão por uma cirurgia eletiva não deve ser acelerada por pressão comercial de nenhuma natureza.
Procedimentos como a minilipolaser ou a tela de sustentação interna TIGR® Matrix requerem não apenas titulação correta, mas curva de aprendizado técnico específica — o que reforça por que a escolha do cirurgião começa, mas não termina, na verificação do RQE.
FAQ
O CRM de outro estado vale no Rio Grande do Sul? Sim, desde que o médico esteja registrado no CRM-RS ou possua visto temporário emitido pelo Conselho Regional. Médicos com CRM de outros estados que operem regularmente no Rio Grande do Sul devem ter o registro devidamente regularizado no CREMERS. A consulta pelo portal do CREMERS confirma essa situação.
Um dermatologista ou médico estético pode realizar lipoaspiração? Do ponto de vista técnico e legal, a lipoaspiração é procedimento da especialidade de Cirurgia Plástica. Outros profissionais podem atuar em procedimentos minimamente invasivos dentro dos limites de sua especialidade reconhecida — mas a realização de lipoaspiração sem RQE em Cirurgia Plástica configura exercício fora do escopo da especialidade e pode representar risco clínico e ético para a paciente.
Como saber se o RQE do médico está ativo ou vencido? A consulta no portal do CFM exibe o status do RQE. Um RQE válido aparecerá com a especialidade listada sem restrições. Em caso de dúvida, o próprio CFM pode ser contatado para esclarecimento.
A filiação à SBCP é obrigatória para operar? Não é obrigatória por lei, mas é o marcador mais confiável de que o profissional passou pelo processo completo de certificação da especialidade e se mantém atualizado. Um cirurgião com RQE em Cirurgia Plástica e membro titular da SBCP oferece dupla comprovação de competência reconhecida.
O hospital onde a cirurgia é realizada influencia na segurança? De forma significativa. Hospitais acreditados — como o Hospital Moinhos de Vento — exigem credenciamento do médico, dispõem de suporte de UTI, equipes multiprofissionais e protocolos de controle de infecção que clínicas isoladas raramente conseguem oferecer. Para procedimentos sob anestesia geral ou sedação profunda, o ambiente hospitalar é a escolha mais segura.
Posso verificar se há processos éticos contra o médico? Sim. O portal do CRM-RS permite verificar a situação ética do profissional. Processos éticos concluídos com punição constam no registro público. Para investigações em andamento, é necessário entrar em contato diretamente com o Conselho Regional.