CRM e RQE: como verificar se o cirurgião plástico que você está consultando é realmente especialista

Antes de confiar seu corpo a qualquer cirurgião, dois números mudam tudo: o CRM e o RQE. Entender o que eles significam — e como verificá-los em minutos — é o primeiro passo de uma decisão verdadeiramente segura.

Dr. Alexandre Peruzzo · · 8 min de leitura · Cirurgia plástica em Porto Alegre
Mulher elegante e pensativa em ambiente refinado, analisando informações com serenidade e discernimento antes de tomar uma decisão importante

Em resumo


O que é o CRM — e por que ele não é suficiente

O Conselho Regional de Medicina (CRM) é o registro obrigatório para o exercício da medicina no Brasil. Todo médico formado em uma faculdidade reconhecida pelo MEC, aprovado no REVALIDA (quando formado no exterior) e em dia com suas obrigações legais possui um número de CRM ativo no estado em que atua.

O CRM-RS, por exemplo, é o registro que autoriza um médico a exercer a profissão no Rio Grande do Sul. Ele é condição necessária — mas não suficiente — para que alguém opere você em uma clínica ou hospital de Porto Alegre.

O problema está exatamente aí: o CRM diz que a pessoa é médica. Não diz em qual área ela foi treinada, por quanto tempo, nem se passou por qualquer processo de avaliação de competência específica. Um clínico geral, um pediatra e um cirurgião plástico certificado compartilham o mesmo tipo de documento. A diferença entre eles — do ponto de vista do título e da formação — está em outro número.

O que é o RQE — e por que ele muda tudo

O Registro de Qualificação de Especialidade (RQE) é emitido pelo próprio CFM e vinculado ao CRM do médico. Ele só existe quando o profissional comprova formalmente ter concluído uma residência médica reconhecida ou obtido o título de especialista por meio de sociedade médica credenciada pelo CFM e pela AMB (Associação Médica Brasileira).

No caso da Cirurgia Plástica, a sociedade responsável pela certificação é a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Para obter o título de Membro Titular da SBCP — e, consequentemente, o RQE em Cirurgia Plástica — o médico precisa:

  1. Concluir a graduação em medicina (seis anos);
  2. Realizar residência médica em Cirurgia Geral (dois anos);
  3. Realizar residência médica em Cirurgia Plástica em programa reconhecido pelo MEC (três anos adicionais);
  4. Ser aprovado na prova teórica e prático-cirúrgica da SBCP;
  5. Manter atividade comprovada na especialidade para renovação periódica do título.

Esse percurso totaliza, no mínimo, onze anos de formação após o ensino médio. Um médico que realize procedimentos estéticos sem esse itinerário — por mais habilidoso que possa ser em outras áreas — não é um cirurgião plástico no sentido técnico e legal do termo.

O que diz a Resolução CFM 2.336/2023

A Resolução CFM 2.336/2023, que regula a publicidade médica no Brasil, é explícita: profissionais sem especialidade reconhecida não podem anunciar procedimentos como se fossem especialistas na área correspondente. Isso significa que divulgar “rinoplastia”, “lipoaspiração” ou “mamoplastia” como serviços oferecidos, sem o RQE em Cirurgia Plástica, configura irregularidade passível de processo ético. Conhecer essa resolução protege a paciente: se um profissional anuncia abertamente procedimentos plásticos e não possui RQE verificável, já há um sinal de alerta concreto.


Como verificar em menos de dois minutos

A verificação é pública, gratuita e não exige cadastro em nenhuma plataforma. Siga o passo a passo:

Pelo portal do CFM

  1. Acesse cfm.org.br e clique em “Consulta médico”;
  2. Digite o nome do profissional ou o número do CRM com o estado (exemplo: CRM-RS 26736);
  3. Na ficha do médico, localize o campo “RQE” — ele aparecerá listado abaixo do CRM com a especialidade correspondente;
  4. Confirme que a especialidade listada é “Cirurgia Plástica” (e não Dermatologia, Cirurgia Geral, Medicina Estética ou qualquer outra).

Pelo portal do CRM-RS (para Porto Alegre e Rio Grande do Sul)

  1. Acesse cremers.org.br e use a ferramenta de busca de médicos;
  2. A ficha exibirá situação do registro (ativo, suspenso, cancelado), especialidades e eventuais restrições éticas;
  3. Um registro “ativo” com RQE em Cirurgia Plástica é o mínimo esperado antes de qualquer consulta.

Pelo portal da SBCP

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica disponibiliza em seu site a consulta de membros titulares por nome, cidade e estado. Essa verificação é complementar: confirma que o profissional não apenas possui o RQE, mas mantém vínculo ativo com a sociedade científica responsável pela especialidade.


Por que isso importa ainda mais em Porto Alegre

Porto Alegre concentra um dos maiores mercados de cirurgia plástica do Sul do Brasil — e, por consequência, também uma oferta crescente de profissionais de diferentes formações que oferecem procedimentos estéticos. Clínicas de medicina estética, dermatologistas e profissionais de outras especialidades atuam em um espectro legal próprio, com procedimentos e limites bem definidos. O problema surge quando essa fronteira é ultrapassada sem transparência para a paciente.

Ao operar no Hospital Moinhos de Vento — Unidade Pontal, em Porto Alegre, o Dr. Alexandre Peruzzo (CRM-RS 26736 / RQE 34441) submete cada procedimento aos protocolos rigorosos de credenciamento hospitalar — o que significa que o hospital também verifica e valida a titulação do cirurgião antes de conceder privilégios cirúrgicos. Esse é um critério adicional de segurança que ambientes de clínica isolada frequentemente não oferecem.

O credenciamento hospitalar como camada extra de segurança

Hospitais de referência como o Moinhos de Vento exigem que o médico apresente, periodicamente, documentação completa de sua formação, especialidade e histórico clínico para manter seus privilégios de sala cirúrgica. Esse processo — chamado de credenciamento médico — funciona como uma auditoria independente da habilitação do profissional. Para a paciente, optar por um procedimento realizado dentro de um hospital acreditado representa uma camada adicional de proteção que vai além da verificação individual do CRM e do RQE.


Outras perguntas que valem ser feitas na consulta

Verificar o CRM e o RQE é o ponto de partida — não o único critério de escolha. Uma avaliação completa de segurança inclui perguntas diretas que qualquer cirurgião qualificado responderá sem hesitação:

Onde a cirurgia será realizada? A resposta ideal envolve um hospital com estrutura de suporte intensivo, UTI disponível e equipe de anestesiologia independente — não uma clínica sem retaguarda hospitalar.

Quem fará a anestesia? Em cirurgias plásticas de porte, a anestesia deve ser conduzida por médico anestesiologista com RQE em Anestesiologia, integrante de equipe independente do cirurgião.

Qual é o protocolo de recuperação? Cirurgiões com formação sólida seguem protocolos baseados em evidências — como os princípios do ERAS (Enhanced Recovery After Surgery) — e conseguem descrevê-los com clareza e sem vagueza.

O profissional é membro titular da SBCP? A filiação à sociedade científica indica atualização contínua, participação em congressos e submissão às diretrizes éticas da especialidade.

Para aprofundar a leitura sobre como avaliar um cirurgião plástico além das credenciais formais, o post sobre mastopexia com prótese e o post sobre prótese de mamas discutem, em seus respectivos contextos, os critérios técnicos que diferenciam abordagens conservadoras de abordagens agressivas — e como identificar qual lógica o seu cirurgião segue.


Sinais de alerta que merecem atenção

Algumas situações recorrentes indicam que vale redobrar a atenção antes de prosseguir com qualquer procedimento:

Procedimentos como a minilipolaser ou a tela de sustentação interna TIGR® Matrix requerem não apenas titulação correta, mas curva de aprendizado técnico específica — o que reforça por que a escolha do cirurgião começa, mas não termina, na verificação do RQE.


FAQ

O CRM de outro estado vale no Rio Grande do Sul? Sim, desde que o médico esteja registrado no CRM-RS ou possua visto temporário emitido pelo Conselho Regional. Médicos com CRM de outros estados que operem regularmente no Rio Grande do Sul devem ter o registro devidamente regularizado no CREMERS. A consulta pelo portal do CREMERS confirma essa situação.

Um dermatologista ou médico estético pode realizar lipoaspiração? Do ponto de vista técnico e legal, a lipoaspiração é procedimento da especialidade de Cirurgia Plástica. Outros profissionais podem atuar em procedimentos minimamente invasivos dentro dos limites de sua especialidade reconhecida — mas a realização de lipoaspiração sem RQE em Cirurgia Plástica configura exercício fora do escopo da especialidade e pode representar risco clínico e ético para a paciente.

Como saber se o RQE do médico está ativo ou vencido? A consulta no portal do CFM exibe o status do RQE. Um RQE válido aparecerá com a especialidade listada sem restrições. Em caso de dúvida, o próprio CFM pode ser contatado para esclarecimento.

A filiação à SBCP é obrigatória para operar? Não é obrigatória por lei, mas é o marcador mais confiável de que o profissional passou pelo processo completo de certificação da especialidade e se mantém atualizado. Um cirurgião com RQE em Cirurgia Plástica e membro titular da SBCP oferece dupla comprovação de competência reconhecida.

O hospital onde a cirurgia é realizada influencia na segurança? De forma significativa. Hospitais acreditados — como o Hospital Moinhos de Vento — exigem credenciamento do médico, dispõem de suporte de UTI, equipes multiprofissionais e protocolos de controle de infecção que clínicas isoladas raramente conseguem oferecer. Para procedimentos sob anestesia geral ou sedação profunda, o ambiente hospitalar é a escolha mais segura.

Posso verificar se há processos éticos contra o médico? Sim. O portal do CRM-RS permite verificar a situação ética do profissional. Processos éticos concluídos com punição constam no registro público. Para investigações em andamento, é necessário entrar em contato diretamente com o Conselho Regional.

Referências
  1. CFM — Consulta de Médicos (portal oficial)
  2. Resolução CFM 2.336/2023 — Publicidade Médica
  3. SBCP — Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica: Consulta de Membros
  4. CREMERS — Conselho Regional de Medicina do RS: Busca de Médicos
  5. Swanson E. A Measurement of Truth in Advertising Among Plastic Surgeons. Aesthetic Surgery Journal. 2013;33(8):1229-1239.
  6. Rohrich RJ, Sinno S, Vogan J. Board Certification in Plastic Surgery: The Gold Standard. Plast Reconstr Surg. 2017;139(6):1514-1516.
  7. AMB — Associação Médica Brasileira: Regulamentação de Especialidades

Cirurgia plástica em Porto Alegre, com a artesania do Dr. Peruzzo.

Procedimentos no Hospital Moinhos de Vento — Unidade Pontal. Consultório no Shopping Pontal, Cristal.

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Dr. Alexandre Peruzzo

Cirurgião Plástico · Porto Alegre / RS · +25 anos · +7.000 cirurgias

CRM-RS 26736 · RQE 34441 · Membro SBCP

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